Blog do diretor do filme O milagre de Santa Luzia


Obrigado ao pessoal que comenta nas redes sociais sobre O milagre de Santa Luzia by sergioroizenblit

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Comentários sobre O milagre de Santa Luzia (clique em “full” para visualizar em tela cheia e conseguir ler)



O plano de Abertura by Bruno Garcia
- Trecho do livro Os Sertões de Euclides da Cunha 1

O velhinho na estrada

A única coisa que sempre esteve definido neste filme é o plano de abertura do filme.

Quando estive em Serrita, na época que conheci a história do Raimundo Jacó que conto no outro texto, acabei fazendo um plano de um velhinho que vinha andando pela estrada e vinha na minha direção. é um plano realmente muito bonito e acabei inclusive colocando-o no filme apesar de ter sido filmado com uma câmera muito pior do que a que utilizei no filme.

Ele vinha na minha direção e parou na minha frente com um cigarro apagado na boca.

- Trecho do livro Os Sertões de Euclides da Cunha

Tive um dialogo insólito com o tal senhor. Bem sertanejo. Poucas palavras.

Todo o seu depoimento foi com esse cigarro apagado. Sua face vincada de rugas pelo sol inclemente, era tal e qual o chão do sertão. O rosto fundo e ainda cego de um dos olhos o que o tornava ainda mais expressivo.

Nunca esqueci aquela imagem que me fazia pensar em algum filme antigo do Wim Wenders, como Paris Texas.

Quando decidimos fazer o filme eu só sabia de uma coisa. Queria aquele plano do velho com o Dominguinhos vindo pela estrada tocando Lamento Sertanejo. Viajamos quase dois dias atrás daquele lugar e eu tentando lembrar do ponto exato que tinha a configuração de subidas e descidas que eu lembrava e com o calor subindo pelo asfalto.

O local fica muito perto da divisa de Serrita com Exu.

Finalmente avistei o local e começamos a filmar.

Fizemos 3 planos. Dominguinhos viria pela estrada tocando lamento Sertanejo e tinha um ponto demarcado onde ele deveria parar. Ele tocou a mesma musica uma vez em 3, uma vez em 5 e uma vez em 7 minutos. Ou seja uma das coisas que começava a compreender sobre sua genialidade, é que ele jamais toca duas vezes a mesma música. Seu instinto criador e de improvisação recria a musica sempre.

Exu – Pernambuco

Quando íamos começar o segundo plano, surgem 4 garotos de bicicleta. Pedimos para eles esperarem e quando déssemos o ok eles entrariam em cena e passariam por tras do Dominguinhos e sumiriam no quadro.

Começamos, eles partem, de repente vaza o microfone do João Godoy que fazia a captação de áudio. Mando voltar correndo tudo pois perderiamos as bicicletas. Eles voltam e rodamos a cena. Quando sento pra assistir ao plano, observo que as bicicletas não estão presentes. A surpresa ainda estava por vir e tudo acontece de uma maneira muito mais bela do que eu jamais poderia imaginar. Pra saber assistam ao filme e todos poderão perceber a diferença da minha idéia e o que o acaso criou.

Deus dirigindo é bem mais criativo.



Os Vaqueiros by Bruno Garcia

Estamos a caminho de Exu pra fazermos o plano de abertura. Temos uma equipe bastante grande para os meus padrões que sempre foram de equipes de no maximo 3 pessoas. Neste caso temos algo em torno de 10 pessoas viajando juntas.
A minha sensação é de sempre ter estado viajando num carro muito ágil que se precisa pode virar em segundos 180 graus.
Aqui não. Tudo envolve mais dinheiro, mais pessoas e me sinto num navio que só faz curvas longas e abertas.
De qualquer forma estamos já próximos a Serrita, no final de tarde, quando avistamos um grupo de vaqueiros parado na beira da estrada. Eu estou na caminhonete com Dominguinhos e o resto da equipe está numa Van.
Peço pra Domiguinhos parar e já saio com a câmera. O Rinaldo que está fotografando em super 16 sai rápido. O João Godoy também. Vejo que fica uma expectativa na cabeça dos vaqueiros , já cheios de cana na cabeça, se aquele homem parado é Dominguinhos.

Vaqueiros

Pergunto se eles o conhecem , um deles diz que conhece e pergunta a Dominguinhos se ele ainda toca sanfona.
São homens vestidos com gibão e toda a parafernália exigida por um vaqueiro pra tocar o gado na catinga inclemente. Estão chegando de uma missa do vaqueiro, mas não a famosa em homenagem a Raimundo Jacó. Outra. Temos a nítida sensação de estarmos vivendo em outro tempo. Estes sertanejos viveram totalmente isolados do resto do Brasil até meados da década de 30. São homens rudes, marcados pelo clima hostil e por um tipo de vida bastante difícil no meio da catinga. A catinga não se parece com nada que possamos ter visto nas nossas vidas de sulistas. É um mato seco, espinhoso e muito denso. Andar a pé na catinga é difícil e estes homens andam com seus cavalos a galope por espaços que inexistem, fazendo movimentos improváveis. Alguns se cortam , outros passam lisos. Um destes homens visivelmente tem uma liderança sobre os demais. É um corcunda, que no meio da catinga, eu fui ver tempos depois, é o próprio Corisco.

Os vaqueiros

Este homem, repentinamente começa um aboio e todos nós permanecemos atônitos diante daquela cena que parecia estar saindo de plena idade média. Um outro, bastante embriagado responde ao aboio e os dois começam um diálogo musical falando do sertão, de Luiz Gonzaga, de Dominguinhos e da vida com uma voz que saía não se sabe de onde, com uma doçura incrível. Dominguinhos está observando com seu olhar tranqüilo. Estou gravando, O Rinaldo está filmando e todos tentam registrar o máximo possível daquele instante tão mágico. De repente ouço a sanfona de Dominguinhos. Ele havia pedido pra alguém busca-la no carro, põe seu chapéu de vaqueiro branco e começa a improvisar junto com o aboio.

Aos poucos a sanfona toma corpo e eu lá gravando aquilo tudo sem acreditar no que estava acontecendo. Numa felicidade de quem vê os milagres acontecerem. O milagre da música que conta tudo de um tempo sem nenhuma explicação.

Quem são aqueles homens ?

E para eles, quem éramos nós ?

Tanto faz. Nenhum deslumbramento, porque um homem desses jamais se deixa deslumbrar. Dominguinhos aos poucos se solta toca para eles, eles fumam e observam tranqüilos. Ao final todos tocam seus berrantes se despedindo, Dominguinhos fala “Fiquem com Deus”.

Voltamos para os nossos carros, agradecidos e partimos. Dominguinhos no carro comenta.. isso é a verdadeira arte. Nos encontramos e naturalmente tudo se fez… foi realmente inesquecível



Luis Carlos Borges by sergioroizenblit

Luiz Carlos

Os pais e os tios eram gaiteiros e trovadores. Filho mais novo de sete irmãos criaram o grupo Os Irmãos Borges, que durante 30 anos animou festas e bailes. Permaneceu com o grupo durante 20 anos, para depois seguir carreira solo. Em constante intercâmbio com músicos da Argentina, da Colômbia e de outros Países da América Latina, traz esta influência de maneira marcante para a sua música. Com 24 discos, já gravou na Argentina e Europa e fez turnês pelos Estados Unidos e Europa.

Eloisa Elena em O Brasil da Sanfona



Renato Borghetti by sergioroizenblit

Renato Borghetti

Procura, partindo da tradicional música gaúcha, criar uma linguagem universal tendo como desafio a limitação do seu instrumento, a gaita ponto diatônica. É compositor, tem diversos discos gravados e grande reconhecimento no Brasil e Exterior. É o responsável pela difusão da gaita do Rio Grande do Sul por todo país.



Geraldo Côrrea by sergioroizenblit

Geraldo Corrêa

Começou a tocar ainda criança. Durante 8 anos viveu entre Rio e São Paulo. Tocou com Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, tendo gravado alguns discos pela Canta Galo. Lançou 14 discos e suas composições já foram gravadas por vários sanfoneiros. Começou tocando acordeão, mas há 30 anos toca fole de 8 baixos.



Genaro by sergioroizenblit

Genaro

Filho de sanfoneiro, aprendeu a tocar ainda criança.Criado no Rio de Janeiro, conheceu e tocou com grandes nomes como Orlando Silva, Dominguinhos, Oswaldinho do Acordeon, e Severo. Em apresentações em bares, na noite, tocou rock, bossa nova e MPB. Participou de shows de diversos artistas, entre os quais Zé Ramalho e Amelinha. Hoje morando em Recife, é muito requisitado em gravações como instrumentista e arranjador;